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Tiffanye Esteves de Queiroz no site Lexis 360 - Encontro - Jovens advogados - Direito societário - Desafios
04/09/2018

Jovens advogados reclamam de falta de treinamento para atuação no direito societário.


Profissionais em início de carreira se reuniram em evento promovido pela LexisNexis

 

Com uma economia avaliada em US$ 1,7 trilhões e um sistema legal complexo, a condução de negócios no Brasil demanda esforços de assessores jurídicos cada vez mais especializados. Embora os advogados exerçam papel fundamental para a realização de operaçõesentre empresas dos mais variados portes, profissionais em início de carreira sentem falta de capacitação para atuar no segmento de negócios ainda na graduação.


A queixa ressoou entre jovens advogados que participaram de um encontro promovido pela LexisNexis na última segunda-feira (3). Eles falaram sobre os desafios do início da profissão ao som de samba. Os novos profissionais foram convidados para uma oficina de percussão com o mestre de bateria Negão da Serrinha e, em meio à batucada e à troca de experiências, a ambição dos novos profissionais era predominante.


Dos mais de 1 milhão de profissionais registrados na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), 67 mil têm idades abaixo dos 25 anos. Embora o direito societário instigue os jovens advogados, os cursos de graduação oferecidos no Brasil se concentram nas áreas tidas como clássicas do direito. “Não temos base de informação na faculdade. Não somos orientados sobre os procedimentos das juntas comerciais, por exemplo, e nem por que estamos fazendo  determinado procedimento”, explica Nadia Ferreira Vieira, do Madrona Advogados. “Nós não fazemos um trabalho automático e a gente acaba aprendendo na prática do escritório”.


A jovem advogada, formada em 2014 pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, relata, no entanto, que o segmento de direito societário exige preparo e qualificações acima da média do mercado de direito em geral. “Quem atua em societário não tem alguns dos confortos que os colegas de civil ou tributário, como recesso e coisas do tipo”, compara.


O empenho e os sacrifícios pessoais, no entanto, são compensados por uma remuneração acima da média. Os desafios dos negócios atraíram Tiffanye de Queiroz, do Peixoto & Cury Advogados, que não se via em funções burocráticas de outros segmentos do direito. “Societário é muito mais animado e tem um volume de negócios mais interessante”, define.


Movimento semelhante fez Isadora Mestre, colega de Nadia no Madrona Advogados. Ela concluiu o bacharelado em direito na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Curitiba, no Paraná, em 2017, e decidiu se mudar para São Paulo para estar mais próxima das bancas que atendem as empresas. “É um diferencial. Nenhum dos meus colegas de faculdade está nessa área”, conta.


A ambição de se tornar um profissional de renome no mundo dos negócios também moveu Arthur Araújo, outro advogado júnior do Madrona. Aos 23 anos, ele deixou o Rio Grande no Norte para cursar pós-graduação na área escolhida na Fundação Getúlio Vargas (FGV). Araújo sonha em ter seu valor intelectual reconhecido e não se incomoda com os comentários de colegas que apontam a ganância dos advogados da ala empresarial. “Escolhi trabalhar com societário para ganhar dinheiro”, brinca.



Por Gabriela Freire Valente

 

M&AMercado  04/09/2018 - 20:16